Mariana Franco

Bio

As árvores não respondiam, estava sozinha no meio do nada, ouvia o estalar das folhas, os pássaros(...) Deixei cair uma lágrima, o medo apoderou-se do meu corpo, mas não deixei que me controlasse e permaneci naquele lugar, procurava ajuda de alguém, mas ao mesmo tempo os meus olhos pediam para não ver ninguém, os seus ouvidos ganharam ódio a todas as vozes, os lábios saboreavam cada lágrima, perguntava-me porque, se seria loucura fazer tal coisa, não quis pisar outro chão durante horas, aquele lugar tranquilo, as cores pintavam todo o meu mundo, apenas algo mantia-se constante e teimava em não mudar de cor, era preto, nem em branco se deixava pintar. Apunhalei tal teimosa, deixei o sangue correr, deixei que fosse desta forma que ele ganhasse cor, (...) depois (...) ouvi passos, tive medo (...) os meus ouvidos deixaram de ouvir, os meus braços abraçaram as pernas o barulho das folhas a serem pisadas, tornava-se cada vez mais forte, mas eu fingi que não ouvia, fingi que não sentia, fingi como sempre que o meu mundo era colorido, (...) mas eu estava com medo! (...) senti uma mão no meu cabelo, senti um abraço forte, falta-me coragem para olhar para trás, a minha cabeça permanecia apoiada nos joelhos, mas os meus ouvidos deixaram-me ouvir aquela voz, o sangue estancou,(...) eu não acredito!! Não quis sair dali, apenas aquela presença já me fazia sentir gente (...) não quero que me largues nunca !

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